Zhu Jiangming, CEO da Leapmotor, anuncia nesta quarta-feira (16) um robô humanoide totalmente autodesenvolvido pela montadora chinesa. A empresa não mostra o robô andando em público nesta fase; a demonstração só vem quando existir um uso que gere receita. A Leapmotor calcula mais de 70% de sobreposição tecnológica entre carros inteligentes e robôs humanoides em percepção, decisão e execução.
Zhu faz o anúncio durante a conferência anual de tecnologia da Leapmotor, evento fechado a funcionários e imprensa e realizado à noite. Duas outras fontes chinesas que cobriram o encontro confirmam a existência do robô, ainda sem imagens públicas de movimento. A Leapmotor descreve o projeto como resultado direto da experiência da montadora com carros elétricos inteligentes.
Segundo a empresa, o mesmo conjunto de algoritmos de inteligência artificial passa a rodar também no robô. Nos carros da marca, esse software já percebe o ambiente, decide uma ação e a executa. A plataforma de computação embarcada e o sistema de controle de movimento seguem a mesma lógica: nascem no carro e migram para o humanoide sem reescrita completa.
O anúncio do robô chega ao lado de outras estreias de hardware assinadas pela Leapmotor no mesmo evento, todas descritas pela empresa como autodesenvolvidas. Zhu trata o conjunto como prova de que a montadora domina, internamente, da percepção sensorial ao movimento físico. Essa base técnica, segundo ele, torna o robô viável sem depender de fornecedores externos.
Ficha técnica
| Item | Especificação |
|---|---|
| Eficiência da transmissão híbrida | até 94% |
| Ciclo de desenvolvimento na China | cerca de 6 meses |
| Robôs humanoides vendidos em 2026 (projeção) | 50 mil unidades |
| Robôs humanoides vendidos em 2030 (projeção) | cerca de 446 mil unidades |
Lidar e câmera dão base sensorial ao robô
A Leapmotor detalha os componentes que sustentam a promessa de sobreposição tecnológica. O sistema de transmissão híbrida elétrica, com três níveis de operação, chega a 94% de eficiência: o motor alterna entre tração elétrica e a combustão conforme a velocidade, e menos energia se perde no trajeto até as rodas. Isso significa mais quilômetros rodados com a mesma carga de bateria ou tanque de combustível.
A montadora também apresenta um lidar de estado sólido, sensor que mede distância com pulsos de laser e não usa partes móveis giratórias. Isso reduz o risco de falha por vibração e baixa o custo de fabricação em série. Ao lado dele, uma câmera tripla de 8 megapixels compõe o sistema de visão que hoje orienta os recursos de condução autônoma dos carros da marca.
Esses dois sensores formam a base de percepção que a Leapmotor planeja transferir ao robô humanoide. O mesmo lidar que detecta pedestres na rua pode mapear obstáculos dentro de uma linha de produção; a mesma câmera que lê placas de trânsito pode reconhecer peças e ferramentas manipuladas pelas mãos do robô.
BYD, Xiaomi e XPeng entram na mesma corrida
Outras seis montadoras chinesas seguem o mesmo caminho da Leapmotor. BYD, Xiaomi, XPeng, Nio, Geely e Chery migram tecnologia de sensores, baterias e sistemas de controle dos carros elétricos direto para robôs humanoides. O objetivo declarado por essas marcas é escalar as próprias fábricas e produzir os robôs em série, do mesmo jeito que fizeram para virar referência global em veículos elétricos.
Essa disputa nasce de anos de desenvolvimento em direção autônoma e software de percepção, tecnologia que agora ganha braços e pernas. As montadoras chinesas usam o domínio já construído em baterias para tentar repetir, na robótica, o mesmo salto que deram no mercado automotivo. Esse salto ocorreu diante da Tesla e de fabricantes tradicionais fora da China. Zhu Jiangming entra nesse grupo com um projeto que a Leapmotor apresenta como desenvolvimento próprio, sem parceria externa.
Corrida chinesa chega ao Brasil sem robôs
A robótica humanoide vira a próxima frente da disputa entre montadoras chinesas de elétricos, mas o Brasil por enquanto fica de fora dela. BYD, Xiaomi, XPeng e Nio seguem o mesmo caminho da Leapmotor: usam a base de sensores e software dos carros para treinar robôs, sem ainda vender nenhum modelo pronto ao público. Enquanto isso, a expansão dessas empresas no país trata só de veículos.
A GAC assinou, em 13 de março de 2026, acordo para produzir carros elétricos e híbridos em Catalão, em Goiás, usando a estrutura da HPE Automotores. Nenhuma dessas negociações cita robôs. O próximo marco concreto para medir o avanço da Leapmotor não é uma data de lançamento, mas o momento em que a empresa achar um uso comercial que justifique tirar o robô da fábrica e mostrá-lo em público.
Leapmotor não revela especificações nem lançamento do robô
- Especificações técnicas do robô (autonomia real, funções, dimensões) não foram divulgadas.
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Fontes
- news.mydrivers.com
- ai.cnmo.com
- ithome.com
- Rivales chinos tesla encuentran nueva motivacion fabricar robots humanoides asequibles para inundar mercadoxataka.com
- Zd tech developpes en seulement 6 mois les robots humanoides chinois envahissent deja la chaine logistique mondialezdnet.fr
- Como sao os carros da chinesa baic cotados para o brasilquatrorodas.abril.com.br
- Gac em catalao producao nacionaltransmissaopolitica.com.br



