A Huawei lança 20 novos produtos da marca Kunling e reorganiza a distribuição no mercado corporativo chinês. O anúncio aconteceu em 16 de setembro de 2026, em Xangai, durante evento que atualizou o plano de soluções por cenário "4+10+N". A empresa também revelou 50 pontos modelo como referência prática.

Yang Chaobin, diretor executivo da Huawei e CEO do ICT BG, sobe ao palco em Xangai para detalhar a atualização do plano de soluções por cenário da marca Kunling. Ele apresenta também o Plano Jingwei, voltado aos parceiros de distribuição da empresa na China. O Plano Jingwei articula mais de 15 mil parceiros integradores e engenheiros.

A meta é construir uma rede de vendas e serviços que cobre 300 cidades chinesas. Para isso, a Huawei já mapeou mais de 10 mil grids, unidades de rede espalhadas por distritos comerciais centrais, mercados de informática e áreas onde os integradores se concentram. Cada grid funciona como um ponto de apoio local, mais perto da empresa atendida do que a estrutura tradicional de distribuição permitia.

A movimentação responde a um problema conhecido do setor: integração difícil entre produtos, ciclos de implantação longos e baixa eficiência operacional. Ao pulverizar a presença em grids menores, a Huawei tenta encurtar a distância entre fabricante e quem instala a tecnologia na ponta. O evento em Xangai reúne, assim, duas frentes que caminham juntas: os produtos que chegam ao mercado e a estrutura que vai levá-los até quem usa a tecnologia nas 300 cidades mapeadas.

O Plano Jingwei reorganiza a distribuição da Huawei ao redor de números concretos. A empresa reúne mais de 15 mil parceiros integradores e engenheiros numa rede única, que cobre 300 cidades chinesas com vendas e suporte técnico. Essa escala muda o tempo de resposta para quem depende de suporte corporativo.

Cada grid funciona como um ponto de referência geográfico que a Huawei usa para direcionar recursos e técnicos mais perto de quem precisa de suporte. Na prática, o mapeamento tira a distribuição do modelo genérico e a substitui por presença local mensurável.

Uma empresa em qualquer uma das cidades cobertas pelo plano passa a ter um parceiro certificado por perto, em vez de depender de atendimento remoto ou centralizado nas grandes metrópoles. A lógica segue o padrão que a Huawei já testou em outros mercados: mapear onde a demanda existe e ocupar o espaço com parceiros treinados antes da concorrência. O plano não detalha, por enquanto, quantos desses grids já têm parceiro designado.

Ficha técnica

Ficha técnica
ItemEspecificação
Chipset (Mate XT 2)Kirin 9050 Pro
Conexões verticais (LogicFolding)cerca de 50 milhões de conexões, espaçamento de aproximadamente 1,5 micrômetro
Tensão suportada (LUTERRA)1000 Vca
Capacidade de arranjo (LUTERRA)12,5 MW/50 MWh
Dimensões (Wi-Fi 6 Pro)164 x 76 x 12 mm
Peso (Wi-Fi 6 Pro)220 g
Bateria (Wi-Fi 6 Pro)7000 mAh, até 12h de autonomia

Sanções dos EUA moldam a estratégia

A Huawei corre em paralelo em várias frentes de negócio. Ao lado da marca Kunling, para o mercado corporativo, a empresa também renova a linha de energia renovável, que troca o nome LUNA por LUTERRA, e atualiza o processador Kirin, usado em smartphones dobráveis. Esse movimento nasce da mesma raiz: reduzir a dependência de tecnologia ocidental.

Desde 2019, quando as sanções dos Estados Unidos cortaram o acesso da Huawei a fornecedores como a TSMC, fabricante de chips avançados, a empresa investe em soluções próprias para energia, processadores e conectividade. No mercado de distribuição corporativa chinês, a Huawei também enfrenta um problema antigo do setor: integrar produtos diferentes, encurtar ciclos de implantação e elevar a eficiência operacional. Esse cenário explica por que o novo plano de parceiros nasce agora, como resposta direta às falhas que travam a adoção de tecnologia corporativa no país.

Energia solar e compromisso com o Brasil

Steven Zhou, presidente da linha de produtos Smart PV & ESS (sistema de armazenamento de energia) da Huawei Digital Power, abre a discussão sobre energia renovável no evento. “Os futuros produtos fotovoltaicos e de ESS devem evoluir para ativos de suporte à rede” (em tradução livre), diz Zhou, ao defender que baterias e painéis solares passem a estabilizar a rede elétrica, não só armazenar energia. Fora do palco chinês, um executivo da Huawei detalha ao Canaltech como a marca reage às sanções dos Estados Unidos.

“Estamos no caminho e trabalhamos ativamente para oferecer o máximo possível de produtos e serviços no Brasil. Esse é o nosso compromisso”, afirma o executivo. Softwares próprios e acordos locais seguem centrais para a operação no país.

A partir de agora, quem quer uma solução Kunling não fala mais direto com a Huawei: fala com o integrador do grid (rede elétrica) mais próximo, treinado dentro do Plano Jingwei. Essa mudança tira a matriz do centro da negociação e coloca o parceiro local como primeiro contato técnico e comercial de cada empresa. Os pontos modelo funcionam como vitrine prática nessa transição: o integrador leva a empresa até uma instalação já testada, em vez de descrever o produto num catálogo genérico.

A lógica vale também para o hardware que sustenta a marca. O chipset Kirin 9050 Pro, sem tecnologia americana segundo a Huawei, já roda no Mate XT 2.

A malha de parceiros dita o ritmo dessa expansão, fora do alcance direto das sanções dos Estados Unidos.

Huawei não detalha nomes dos novos produtos

  • Nomes, especificações e preços dos 20 novos produtos do evento Kunling não foram detalhados.
  • Preço e data de lançamento no Brasil não informados para nenhum produto citado.
  • Disponibilidade internacional (fora da China) do Plano Jingwei e das soluções 4+10+N não confirmada.

Fontes

  1. leiphone.com
  2. 36kr.com
  3. Cinco inovacoes tecnologicas huawei lanca a plataforma de ess de grid forming de ultima geracao luterraprnewswire.com
  4. Huawei desafia os eua com novo chip top para celularcanaltech.com.br
  5. Huawei wi fi 6 pro mobile routerhuaweicentral.com
  6. huawei.com