A Stellantis negocia com a Huawei e o Grupo JAC levar a plataforma de software Harmony Intelligent Mobility para carros da Maserati. O jornal italiano Milano Finanza revelou as negociações nesta sexta-feira; elas ainda não resultaram em acordo assinado. A marca de luxo do grupo vendeu menos de 8.000 carros no ano passado e teve prejuízo operacional ajustado de € 198 milhões (cerca de US$ 230 milhões).
O acordo em discussão usa uma estratégia de dupla marca. Na China, o carro sairia de fábrica como Maextro, nome que já pertence ao Grupo JAC; nos demais mercados, levaria o tridente da Maserati. A produção do primeiro modelo dessa parceria poderia começar até o fim de 2027, mas nada está fechado.
Nenhum contrato entre Stellantis, Huawei e JAC foi assinado até agora. Um porta-voz da Stellantis confirma apenas que a montadora mantém conversas com “diversos participantes do setor ao redor do mundo”, sem citar nomes nem detalhar o teor das tratativas. Enquanto a negociação corre, a fábrica de Cassino, na Itália, onde a Maserati monta seus carros, mostra o tamanho do aperto.
A planta produziu 2.916 unidades no primeiro trimestre de 2026, queda de 37% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A marca de luxo também tem compromisso marcado no calendário: apresenta sua própria estratégia de longo prazo em dezembro, num Investor Day em Modena, na Itália, evento que pode esclarecer se a parceria com a Huawei sai do papel antes do fim do ano.
Fábrica de Cassino roda a um terço da capacidade
A fábrica de Cassino, na Itália, mostra o tamanho do buraco que a parceria com a Huawei tenta tapar. Uma linha de montagem que roda tão abaixo da capacidade custa caro para manter, mesmo sem fabricar nada.
O plano da Stellantis também aposta em tempo. Se o acordo sair do papel, o primeiro carro desenvolvido em conjunto com a Huawei e o Grupo JAC pode começar a sair da linha até o final de 2027. É um prazo apertado para reformular tanto a engenharia quanto o software de um carro de luxo, mas mostra a pressa da montadora em reverter a queda de vendas antes que a fábrica italiana perca ainda mais espaço. Nenhum dos lados confirmou se Cassino vai receber a produção do novo modelo ou se a fabricação migra para uma planta do Grupo JAC na China, como acontece com outros projetos da Huawei no setor automotivo.
Vendas da Maserati despencam na China
A crise da Maserati vem de longe. A marca vendia cerca de 15.000 carros por ano na China em 2017; no ano passado, ficou abaixo de 1.000 no país. No total global, as vendas caíram de 11.300 unidades em 2024 para 7.900 em 2025.
O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, colocou parcerias com montadoras chinesas no centro do plano de € 60 bilhões que a empresa traça até 2030. O grupo também negocia produção conjunta com a Leapmotor e a Dongfeng, e roda as fábricas europeias com apenas 60% da capacidade instalada.
O formato de dupla marca em discussão repete um padrão que a Huawei já aplica com outros fabricantes chineses: fornece o software e a conectividade, mas não fabrica o carro. Separadamente, a empresa reformula sua relação com a Seres na marca AITO — troca o modelo em que liderava a parceria por um em que a montadora passa a comandar.
Filosa garante que Maserati não está à venda
O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, rejeita qualquer venda da marca italiana. Filosa distingue venda de parceria.
“O que pode acontecer em Cassino, como acontecerá em outras plantas, é ter parcerias para cooperação e desenvolvimento” (em tradução livre), disse o executivo. A fala abre espaço para o acordo com a Huawei e o Grupo JAC sem comprometer o controle da Stellantis sobre a marca ou sobre a fábrica.
O modelo em discussão inverte os papéis que a Huawei costuma ocupar em parcerias automotivas. Em vez de liderar produto, marketing e vendas como faz hoje, a empresa entraria só com a camada de software e conectividade da Harmony Intelligent Mobility (sistema operacional automotivo da Huawei). A Stellantis comandaria a operação, e a JAC assumiria a fábrica.
Esse recuo já aparece em outro canto do mercado chinês. A Seres segue apoiada (“赋能”) pela Huawei.
O caso da Maserati testaria a mesma lógica fora da China, com uma marca de luxo europeia no lugar de uma montadora chinesa. Nenhuma das três empresas confirma prazo para fechar o acordo. O próximo marco público vem em dezembro, quando a Maserati apresenta sua estratégia de longo prazo no Investor Day (encontro anual com investidores), em Modena.
Local de produção segue incerto
- Não há confirmação oficial de Stellantis, Huawei ou Grupo JAC sobre a existência, os termos ou a data de fechamento de um acordo para a Maserati — todas as…
- Não foi possível confirmar se a produção do veículo conjunto ocorreria na Itália, na China ou em ambos os países (fonte 4 explicita que isso ainda não foi…
- Não há dados sobre eventual preço de venda do veículo resultante, nem disponibilidade ou preço para o mercado brasileiro.
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Fontes
- Stellantis negocia com huawei e jac para salvar maseratimecanicaonline.com.br
- Stellantis maserati explores china tiefinance.yahoo.com
- Stellantis huawei jac maserati partnershipqz.com
- Stellantis huawei jac maserati partnershiptechnode.com
- ithome.com
- ithome.com
- ithome.com
- ithome.com



